quinta-feira, 23 de maio de 2013
SABOR DE HISTÓRIA
CUSCUZ
Havendo nascido e crescido no Vale do Paraíba, o primeiro cuscuz que conheci foi, obviamente, o paulista, feito com sardinha, camarão, tomate, ovos cozido e outras coisinhas que a criatividade peça.
Vinte e tantos anos depois vim a conhecer o cuscuz baiano, que segue a máxima japonesa segundo a qual a simplicidade é o superlativo do requinte:
Mais recentemente fui apresentada, quase concomitantemente, ao cuscuz da Paraíba
e ao primeiro e original: o couscous marroquino, feito de sêmola de trigo, e não com farinha de milho, como os brasileiros.
Ao decidir escrever a respeito desse prato delicioso e de tantas facetas senti que deveria fazer alguma pesquisa. Sabem o quê descobri? Que as versões do Nordeste provavelmente derivaram da receita original, aquela que os portugueses aprenderam com os mouros e depois trouxeram para o Brasil, mas a versão paulista teria origem totalmente diferente! Segundo li, como os tropeiros transportavam juntos, no mesmo farnel, a carne, os legumes e a farinha de milho, durante a viagem tudo se misturava, a farinha absorvia a umidade dos outros ingredientes e – TCHAN-RAN! aquilo tudo virava um bolo!
Confiram:
http://cozinhaeliteratura.blogspot.com.br/2011/05/cuscuz-paulista.html.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
EXPLICAI-ME, PLEASE, A RAZÃO!
Desde o Shopping Center de Jacareí até o Shopping Center de Guaratinguetá temos 100 quilometros, que podem ser percorridos em 75 minutos. Somando todas as salas de cinema das cidades no caminho chega-se a umas 25, creio. Quantos filmes há em cartaz? 5. CINCO. CIN-CO.
Eu simplesmente não consigo entender.
Tudo bem, o número de pessoas interessadas em filmes sem roteiro e sem arte dramática é grande, eu sei. Mas seria pedir demais uma - UMA - obra de CINEMA por cidade? Uminha, só?
Não precisa ser nada tremendamente assustador, do Sudeste Asiático ou do Irã, nem cinema "independente"; não estou pedindo nem mesmo que seja europeu! Pode ser estadunidense e comercial. Só gostaria que tivesse roteiro, e que o diretor e os atores tivessem, no mínimo, tanta importância quanto os caras dos efeitos especiais e do escritório de divulgação.
Será que isto levaria as grandes redes de distribuição à falência?
Estou pedindo: por favor, pessoal da Moviecom e da Cinemark, por favor! Entendam que a região não é habitada exclusivamente por adolescentes. Passem Hitchcock e Django Livre para os valeparaibanos adultos. Os metidosasbesta que quiserem desfrutar de mimos como Dentro da Casa (exemplo francês de como se faz excelente cinema sem afetação, leve, com linguagem acessível) ou luxos como Soul Kitchen que se desloquem até a capital.
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terça-feira, 21 de maio de 2013
Hexagrama 27
Enganou-se quem pensou que o título do blog remete à música. Música é um dos temas que menos serão abordados por aqui. Curto pouco, conheço pouquíssimo. Gosto de Amy Winehouse, mas não de Adele; gosto de Gentle Giant & de Jethro Tull, mas não me perguntem nome dos músicos ou das músicas, nomes de discos ou ano de gravação. Não sei nada. Se ouço, digo [ou penso]: ‘que legal’. E pronto.
De que se trata, então? Bom, “Os cantos da boca” é o título do hexagrama 27 do I Ching, hexagrama que também é conhecido pelo nome Nutrição.
Vai tratar de I Ching? Então é um blog esotérico? Não, não vai “tratar de I Ching”, nem de astrologia, nem é um blog esotérico. Eu gosto de acreditar que sou ateísta e cética.
Mesmo assim, não acho incompatível citar o I Ching. Lá na introdução do livro (pág. 15 da edição da Pensamento, de 2006) está escrito assim:
“O I Ching não é apenas (nem primordialmente) um oráculo. E essa sua faceta é, inclusive, quase irrelevante se confrontada com a riqueza da sabedoria contida nos Kua. O uso oracular do livro corresponde a apenas uma fase, digamos, primária, quando ainda não sabemos como aplicar, por nós mesmos, às nossas vidas, os princípios existentes entre os Kua e todos os fenômenos.”
Vai tratar de I Ching? Então é um blog esotérico? Não, não vai “tratar de I Ching”, nem de astrologia, nem é um blog esotérico. Eu gosto de acreditar que sou ateísta e cética.
Mesmo assim, não acho incompatível citar o I Ching. Lá na introdução do livro (pág. 15 da edição da Pensamento, de 2006) está escrito assim:
“O I Ching não é apenas (nem primordialmente) um oráculo. E essa sua faceta é, inclusive, quase irrelevante se confrontada com a riqueza da sabedoria contida nos Kua. O uso oracular do livro corresponde a apenas uma fase, digamos, primária, quando ainda não sabemos como aplicar, por nós mesmos, às nossas vidas, os princípios existentes entre os Kua e todos os fenômenos.”
E, apesar de o outro nome o hexagrama ser “nutrição”, o blog também não vai versar sobre culinária. A idéia é oferecer ‘alimento’ de todo tipo, e para tentar explicar melhor o significado do hexagrama e, com isso, o motivo da escolha do nome para o blog, peço licença ao pessoal do Clube do Tarô para usar as palavras que estão em
http://www.clubedotaro.com.br/site/iching/YJ/27.asp :
http://www.clubedotaro.com.br/site/iching/YJ/27.asp :
Então é isso. Minha intenção aqui é oferecer alimento - do físico ao psicológico, do denso ao sutil [...] tudo aquilo que o homem busca para suprir tanto a si próprio – no físico, no emocional, no intelecto.
Havia pensado em criar 'gavetas' para os diferentes tipos de alimentos: alimento para os olhos, alimento para o corpo, etc, mas percebi que estava sendo positivista. Não dá para separar, né? Uma comida gostosa certamente é alimento para o aparelho digestivo e, portanto, para todo o corpo 'físico'; porém, também é alimento para os sentidos (não só o paladar, mas visão, olfato ...) e para as emoções e para o 'intelecto' - comida é cultura.
Sendo assim, creio que as gavetas terão nomes objetivos: artes visuais, receitas, literatura.
E, no início, até estar dominando um pouquinho melhor as ferramentas, não vou interagir muito com os leitores.
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