sexta-feira, 24 de maio de 2013

Para cuitelinhos, abelhas e nós.

          


Apesar de minha avó e minha mãe sempre haverem gostado de flores e terem tido vários tipos de roseiras nos jardins, além de margaridas, marias-sem-vergonha e muitas outras, a flor que mais me lembra a infância é o capitão.

Essas não estavam plantadas no jardim, eram encontradas no mato perto de casa e no caminho para a escola.

Recentemente encontrei lindos exemplares de capitão em Presidente Epitácio; vejam a que fotografei:


Pesquisando, descobri que seu nome oficial é Zínia – Zinnia elegans. Os apelidos, além de capitão, são moça-velha e canela de velho   :) 

Em
http://www.plantasonya.com.br/flores-e-folhagens/zinias-conheca-as-especies.html
encontrei boas informações, e acho até que vou tentar ter um pé de moça-velha em vaso, que tal ?  ;p

Dentre as flores do jardim minha favorita era a maria-sem-vergonha, que a vó chamava de beijinho. Também é conhecida como beijo-turco (isso eu não sabia!), seu nome científico é impatiens walleriana e sua grande magia eram as cápsulas das sementes. Quem nunca estourou um ‘saquinho’ desses?

Para quem já esqueceu, achei estas fotos das cápsulas em

http://plantasdecasa.blogspot.com.br/2011/04/impatiens-walleriana.html:

E se você nunca teve tal alegria, recomendo que procure urgentemente um pezinho, para experimentar. Não vai ser difícil encontrar. Afinal, o nome pelo qual a planta é mais conhecido foi escolhido porque ela dá em qualquer lugar. 

SEM PROTEÇÃO

          SEM PROJEÇÃO



                  Estréia hoje no Brasil o filme Sem Proteção.
 

        
       Com Robert Redford, Susan Sarandon, Shia Laboeuf, Terrence Howard e Nick Nolte, que além de excelentes atores são estrelas de primeira grandeza, o thriller será exibido em 15 (quinze) salas da cidade de São Paulo.
         E no Vale do Paraíba?
        O Vale do Paraíba ignora o lançamento e continua passando #homemdeferro e #velozesefuriosos ad nauseum.
         Vou pra Sampa no feriado, assisto e semana que vem conto pra vocês.

Feito por mim


quinta-feira, 23 de maio de 2013

História para se ouvir no colo do avô

O PASTOR
história familiar recontada

      Chamava-se Joaquim e era pastor de ovelhas, como a maioria dos meninos de sua idade, naquele tempo e naquele lugar.
      Ele não pastoreava suas próprias ovelhas, pois nem as tinha, mas as de uma velha senhora que morava a uma légua de sua casa.
      Como, é claro, ia a pé para o trabalho, e como pastores começam a trabalhar muito cedo, ele tinha de sair de casa com o céu ainda escuro, antes de o sol nascer.
      Hoje parece estranho pensar nisso, mas não havia relógio naquela casa de pastores pobres do interior de Portugal, no fim do século 19. Você há de perguntar: e como é que ele fazia para não perder a hora? Ora, dormia muito cedo, e depois de 8 horas de bom sono, acordava naturalmente. Além disso, sempre havia o galo para ajudar, com seu aviso ruidoso de que o dia estava para nascer.
      Aconteceu que, um dia, o galo cantou na hora errada, bem mais cedo do que de costume. E, já que não tinha relógio, Joaquim só percebeu o engano ao chegar à entrada do bosque que ficava próximo à fazenda onde ele trabalhava.
      Normalmente o sol já estava nascendo quando chegava ali, e assim ele não precisava atravessar o bosque no escuro.
      Mas nesse dia, como havia acordado cedo demais, quando ele chegou ao bosque o céu ainda estava negro, e a lua alta. Seria perigoso continuar, pois havia lobos por ali, e ele decidiu esperar pelo amanhecer.
      Deitou-se à beira da estrada, e voltou a dormir. Ou quase. Na verdade, ainda não estava completamente adormecido quando sentiu que um animal o farejava. Seu sangue gelou.
      Era um lobo, ele sabia. Felizmente aquele animal estava sozinho, e lobos só atacam quando estão em bando. Então, Joaquim prendeu a respiração e fingiu-se de morto, rezando para que o bicho fosse logo chamar seus companheiros da alcatéia. E, realmente, ele foi.
      Com as pernas moles e o coração na boca, o pastorzinho subiu, o mais rápido e o mais alto que pode, na primeira árvore que encontrou. Quando os lobos voltaram - e dessa vez eram muitos - ele já estava seguro.
      Os lobos cheiraram o lugar onde o menino estivera deitado, seguiram o cheiro até o pé da árvore onde ele subira e ficaram ali, uivando, por muitos milênios. Pelo menos foi esse o tempo que ele pensou ter ficado tremendo lá em cima daquela árvore.

      Quando o sol finalmente raiou, os lobos se foram e Joaquim pode descer da árvore e correr para casa. Naquele dia não pastoreou, nem nunca mais. Veio embora para o Brasil. Mas essa é outra história.

SABOR DE HISTÓRIA

CUSCUZ       


     Havendo nascido e crescido no Vale do Paraíba, o primeiro cuscuz que conheci foi, obviamente, o paulista, feito com sardinha, camarão, tomate, ovos cozido e outras coisinhas que a criatividade peça.


            Vinte e tantos anos depois vim a conhecer o cuscuz baiano, que segue a máxima japonesa segundo a qual a simplicidade é o superlativo do requinte:


            Mais recentemente fui apresentada, quase concomitantemente, ao cuscuz da Paraíba


e ao primeiro e original: o couscous marroquino, feito de sêmola de trigo, e não com farinha de milho, como os brasileiros.



Ao decidir escrever a respeito desse prato delicioso e de tantas facetas senti que deveria fazer alguma pesquisa. Sabem o quê descobri? Que as versões do Nordeste provavelmente derivaram da receita original, aquela que os portugueses aprenderam com os mouros e depois trouxeram para o Brasil, mas a versão paulista teria origem totalmente diferente! Segundo li, como os tropeiros transportavam juntos, no mesmo farnel, a carne, os legumes e a farinha de milho, durante a viagem tudo se misturava, a farinha absorvia a umidade dos outros ingredientes e – TCHAN-RAN! aquilo tudo virava um bolo!

Confiram:
http://cozinhaeliteratura.blogspot.com.br/2011/05/cuscuz-paulista.html.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Da séria 'feito por mim'

EXPLICAI-ME, PLEASE, A RAZÃO!

               

              Desde o Shopping Center de Jacareí até o Shopping Center de Guaratinguetá temos 100 quilometros, que podem ser percorridos em 75 minutos. Somando todas as salas de cinema das cidades no caminho chega-se a umas 25, creio. Quantos filmes há em cartaz? 5. CINCO. CIN-CO.
          Eu simplesmente não consigo entender.
          Tudo bem, o número de pessoas interessadas em filmes sem roteiro e sem arte dramática é grande, eu sei. Mas seria pedir demais uma - UMA - obra de CINEMA por cidade? Uminha, só?
           Não precisa ser nada tremendamente assustador, do Sudeste Asiático ou do Irã, nem cinema "independente"; não estou pedindo nem mesmo que seja europeu! Pode ser estadunidense e comercial. Só gostaria que tivesse roteiro, e que o diretor e os atores tivessem, no mínimo, tanta importância quanto os caras dos efeitos especiais e do escritório de divulgação.
          Será que isto levaria as grandes redes de distribuição à falência?
          Estou pedindo: por favor, pessoal da Moviecom e da Cinemark, por favor! Entendam que a região não é habitada exclusivamente por adolescentes. Passem Hitchcock e Django Livre para os valeparaibanos adultos. Os metidosasbesta que quiserem desfrutar de mimos como Dentro da Casa (exemplo francês de como se faz excelente cinema sem afetação, leve, com linguagem acessível) ou luxos como Soul Kitchen que se desloquem até a capital.